sábado, 2 de outubro de 2010

Da ética dentro da pista

Ética dentro da pista.  Existe isso numa corrida de Motocross?  Pelo que tenho visto a ética  se algum dia existiu  morreu com a substituição das  motos 2 tempos pelas de 4.   O que vemos hoje é um pega pra capar nas corridas regionais que faz a disputa se assemelhar a um circo Romano.

Agora que existe um código de conduta para todos os pilotos que alinham no gate de largada pode ter certeza.  No meu tempo isso se chamava de “Bom Cabrito não Berra” ou "o que acontece na pista se resolve na pista".  Se você me “pranchar” pode ter certeza do troco. Vou guardar aquilo atravessado na goela e vou te devolver com juros e correção.

Existem várias formas de vingança:  Desde a mais grosseira até a mas sutil. Nesses meus 35 anos de pista já vi de tudo e mais um pouco  Vou aqui descrever as preferidas e mais usadas por pilotos com sede de desforra:

Carregar o oponente pra fora do relevê geralmente dando no meio dele quando ele está no final da freada para curvar.  Essa técnica é a mais usada com uma ressalva: Sair fora da cena do crime o mais rápido possível para que ninguém possa dizer com certeza que foi você.  Uma coisa é certa: o desafeto não vai ver porra nenhuma!

Entrar por dentro e sair varrendo com a roda traseira na dianteira do cabrunco.  Tombo feio.  Se ele reclamar diga “Pó cara desculpe, errei o tempo da freada”

Passar por cima do desafeto quando esse cair a sua frente.  Acelere com tudo e de uma empinada exagerada e com a roda traseira deixe a marca do pneu no capacete do cabrunco.  Essa é a vingança mais saboreada visto que quem cai está a mercê de quem vem atrás e não tem o que reclamar. Não se engane, todos caem!   Variações desta técnica incluem chupetar a embreagem ao passar por cima, Pisar nas costas ou cabeção da vitima, mirar nos radiadores da moto para tirar o cara definitivamente da prova.  A coisa se torna  mais divertida quando o piloto é odiado por todos e ai vem todo mundo tirar uma casquinha, até os retardatários!! 

Se o desafeto deixar a moto por um instante desguarnecida, afrouxe ou aperte as regulagens da suspensão à moda caralho.  Depois morra de rir vendo o cabrunco tentar controlar o sanhaço no dia da corrida HAHAHAHA...

Encaixar o guidão na costela do infeliz e ir cutucando até ele perder o rumo. Essa técnica é desenvolvida por pilotos veteranos que querem dar uma “lição” nos novatos mais afoitos. 

Brake check pra pegar os pilotos carrapatos desprevenidos.  A técnica consiste em frear repentinamente num lugar estratégico da pista em que o carrapato não tem como se livrar de bater na sua traseira.  Dar uma olhada pra trás quando o cabrunco estiver de pernas pro ar para selar a doce vingança.

As mais mortais consistem em saltar nas costas, ou em cima do adversário como Danny Storbeck fez em cima de Rick Johnson no década de 80 encerrando a carreira do grande campeão.  Mais recentemente vimos Bubba  aterrissar nas costas de Carmichael.  Esse tipo de atitude só para os profissionais que sequer são advertidos pela organização. Quem não se lembra da manobra criminosa do Schumacher em cima do Barichello a 300 km por Hora?  Quando indagado Schummy respondeu “Isso aqui é Formula 1.  Todos sabem que não dou presentes”.  Belo exemplo para todos nós.
 
A minha técnica predileta e que modestamente aperfeiçoei durante minha carreira vingativa de piloto medíocre é rogar uma praga contra o cabrunco.  É claro que já passei por cima de vários, já dei no meio de alguns, e já joguei uma penca pra fora da pista assim como já fui vítima de todas essas manobras. Confesso que é muito gostoso ver um inimigo de perna pro ar.

Uma coisa que aprendi.  Nunca coloque o seu nome na camisa ou colete para não ser identificado e pagar o preço depois.  Melhor ainda, use uma camisa ASW azul.