quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Da CR 250cc 1993

E isso aí meus caros parceiros!!

José Silvino pegou a Cr250 zerinho, zerinho na caixa. Era o seu sonho.  Desde pequeno sonhava com aquela máquina.  Aquela CR, a legendária Honda.  Silvino foi o primeiro dono de uma moto que nós do ramo chamamos de “quebradeira”. Há motos que quebram o piloto e há motos que quebram a banca do piloto.  Essa CR fez a duas coisas. A história de Silvino se repetiu com todos os donos. Iludir e depois quebrar ou o cú ou a banca de todos seus 16 donos. Sem exceção!  Há humores que a CR matou um Argentino, mas não tenho certeza. Se matou que pena!! 

Quando peguei essa moto em 2004 ela já tina 11 anos.  Foi comprada originalmente na Moto Matsuo, era oficial e curiosamente tinha um aro 18 na traseira, estranho para uma CR motocross  de 1993.  A moto estava na região há alguns anos e tinha quebrado pelo menos dois cabruncos.  O primeiro oriundo da França porrou numa van lotada e o segundo, um Israelense caiu de um penhasco em cima do telhado de uma casa.  Todos dois chuparam sopa pelo canudo e viam nos sonhos a vó pela greta.  Nenhum dos dois voltou a andar de moto.
 
Comprei a moto de Luminária que achou a CR jogada no tempo e pagou uma mixaria, afinal, o cara quase que deu a moto.  Satisfeito que tinha pegado uma CR a preço de Banana o iludido ”esperto” mandou “reformar”, gastou 3 mil,  montou o seu cú em cima só pra voltar empurrando.  Quebrou o pistão.  Conserto feito conserto próximo: Quebrou o link do amortecedor. “Puta Merda!” Pensou o Luminária, “vou passar essa merda.”
Chegou eu. Levei meu mecânico,o Zé Marreta, que era um louco por CR, mesmo que fosse uma merda quebradeira. “Velho, O quadro ta soldado, mas filé” dizia Marreta. “Velho, OS ROLAMENTOS DO LINK não existem E O LINK TEM UMA SOLDA, MAS TÁ DOMINADO” DIZIA COM UM OLHAR DE VIDRO. “Velho o motor ta com um barulho de rolamento no primário, mas que motorzão!!” Babava o mecânico Marreta. Mesmo sabendo no íntimo que tava comprando um sanhaço, gamei.  Afinal aquilo era uma CR.

Testei a moto no condomínio e quando pulei o quebra mola delirei.  “Que motorzão, Que suspensão!” pensei eu no auge da demência. Dia seguinte quebrou a solda do link levando o amortecedor junto.  Consertei. O radiador furou comprei um novo.  Os rolamentos do link e chassis tudo fudido. Comprei e botei novo. Roncou motor comprei o kit.  Quebrou palheta de torque comprei um Boyesen. O carburador fudeu. Botei novo.  No final das contas.  Gastei 10 mil só de peças

Ai o extraordinário aconteceu. Marreta meu mecânico ofereceu comprar a moto depois que botei tudo, mas tudo novo.  Dez mil de novo!! Mal acreditando que um mecânico compraria aquela merda e disfarçando a minha incrível alegria, vendi.  Fomos fazer uma trilha juntos, e, ao passar num rio, quebrou a carcaça a 50 km do nada. Mais mil de conserto..  e com a carcaça foi o resto das engrenagens do kick.  Marreta até hoje senta de lado e não consegue virar o pescoço.  Legado da fumada no seu rabo e o tombo nas dunas que quase o matou.

Aí o inusitado aconteceu. O Luminária comprou a moto de volta por 3 mil do Marreta. Luminária emprestou a moto pra outro Argentino que sem saber do “passado” da CR montou seu cú amplo no banco. A corrente soltou da coroa e quebrou a carcaça do outro lado.  Mais 3 mil.  Vendeu pra um otário de Rio das Ostras que andou sem óleo e fudeu o motor.

Passaram-se alguns anos.  Era crepúsculo. Grande, de Casimiro, aparece na penumbra em minha oficina e me traz para troca uma CR “filé” toda original.  Na sombra da noite a moto reluzia como um raro brilhante de mil e uma noites.  Vidrei. Negocio fechado. No dia seguinte de manhã olhei a moto com carinho.  Olhei a balança.  Estava escrito “Motobase” adesivo que o Argentino moribundo tinha colocado na moto.  Era ela a CR!! Tinha voltado para mim! Inacreditável”.

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